Diretivas Antecipadas de Vontade: Guia Prático de Como Fazer

Veja como montar uma Diretiva Antecipada de Vontade (DAV): o que incluir no documento, cartório ou prontuário e como garantir que seja respeitada.

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A Diretiva Antecipada de Vontade (DAV) é o nome técnico do documento em que uma pessoa registra, com antecedência, suas escolhas sobre tratamentos de saúde para o caso de um dia não poder mais se manifestar. Montá-la bem envolve três decisões práticas: o que registrar, quem nomear como representante e onde formalizar o documento. Este guia é o passo a passo dessa construção.

Se você ainda quer entender o conceito e a base legal, comece pelo guia testamento vital: o que é e como fazer — aqui, o foco é a parte documental e operacional. Este é um tema sensível e o conteúdo aqui é informativo: a elaboração da DAV deve sempre contar com apoio de um médico e, se possível, de um advogado, que ajudam a adequar o documento à situação de saúde e à vontade de cada pessoa.

O que uma DAV pode conter

Uma DAV completa costuma reunir dois componentes que se complementam:

  • As instruções sobre tratamentos (o "testamento vital" propriamente dito): quais procedimentos você aceita ou recusa em situações de doença grave e irreversível ou de fim de vida.
  • A nomeação de um representante (mandato duradouro para cuidados de saúde): a pessoa de confiança que decidirá por você em situações que o documento não previu.

Registrar os dois no mesmo documento é a forma mais segura, porque nenhuma instrução escrita consegue antecipar todos os cenários possíveis — e é aí que o representante nomeado faz a diferença.

O que incluir no documento, na prática

Quanto mais claras e específicas as instruções, mais fácil para a equipe de saúde e a família seguirem sua vontade. Alguns pontos que uma DAV bem construída costuma abordar:

ItemExemplos de decisão
Suporte artificial de vidaAceitar ou recusar ventilação mecânica em quadro irreversível
Reanimação cardiopulmonarPosição sobre ser reanimado em situação terminal
Alimentação e hidratação artificiaisPreferências em caso de estado vegetativo persistente
Cuidados paliativosPriorizar conforto e controle da dor sobre intervenções agressivas
Local de cuidadoPreferência por permanecer em casa, se possível, nos cuidados finais
RepresentanteNome e contato de quem decidirá em seu lugar

Vale escrever com apoio médico: um profissional ajuda a traduzir intenções gerais ("não quero sofrer") em instruções concretas e clinicamente aplicáveis.

Onde formalizar: cartório ou prontuário médico

Há dois caminhos principais para dar formalidade à DAV, e eles não são excludentes:

No prontuário médico. A Resolução CFM nº 1.995/2012 prevê que o médico registre as diretivas do paciente no prontuário, a pedido dele. É um caminho direto, sem custo, e conecta o documento diretamente a quem vai aplicá-lo. A limitação é que fica restrito àquele serviço de saúde.

Em cartório (escritura pública declaratória). Registrar a DAV em cartório dá data certa, formalidade e segurança jurídica, além de tornar o documento independente de um serviço de saúde específico. Tem um custo (o da escritura), mas é a forma mais robusta de garantir que a manifestação seja reconhecida. Cartórios de todo o país têm registrado um número crescente desses documentos nos últimos anos.

O ideal, para muitas famílias, é combinar: registrar em cartório e também comunicar/entregar cópia ao médico de confiança.

Como garantir que a DAV seja respeitada

Um documento perfeito que ninguém encontra não serve para nada. Para que a DAV realmente funcione:

  1. Comunique sua existência. Informe o médico, o representante nomeado e familiares próximos.
  2. Diga onde está guardada. Deixe claro onde encontrar o documento (e a via em cartório, se houver).
  3. Entregue cópias. Ao representante e, se possível, ao médico que acompanha seu caso.
  4. Revise periodicamente. Confirme, de tempos em tempos, que o documento ainda reflete sua vontade — e atualize após mudanças importantes de saúde.

Erros comuns ao fazer uma DAV

  • Instruções vagas demais — frases genéricas dificultam a aplicação prática pela equipe médica.
  • Não nomear um representante — deixa a família sem alguém legitimado para decidir no que o documento não previu.
  • Fazer e esconder — guardar o documento sem avisar ninguém anula seu propósito.
  • Deixar para depois — a DAV só é válida enquanto a pessoa tem plena capacidade de decidir; adiar é o maior risco, sobretudo em doenças que afetam a cognição.

Perguntas frequentes

Diretiva Antecipada de Vontade e testamento vital são a mesma coisa?

A DAV é o termo técnico e mais amplo; o testamento vital é a parte dela que registra os tratamentos aceitos ou recusados. Na prática, os termos são usados de forma próxima.

Preciso de advogado para fazer uma DAV?

Não é obrigatório, mas o apoio de advogado (e de médico) dá mais segurança à redação e à validade do documento.

A DAV registrada em cartório tem mais valor que a do prontuário?

Ambas são válidas. O cartório oferece mais formalidade e independência de um serviço específico; o prontuário conecta o documento diretamente à equipe que vai aplicá-lo.

Posso mudar de ideia depois de registrar?

Sim. Enquanto tiver capacidade, você pode revisar ou revogar a DAV a qualquer momento.


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